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  • A Angústia sob a Ótica Psicanalítica

    Compreendendo a angústia como sinal do inconsciente, a psicanálise oferece uma leitura profunda desse afeto humano muitas vezes difícil de nomear. Diferente do medo, que tem um objeto externo identificado, a angústia é vivida como uma sensação difusa, sem causa aparente. Para Freud, ela surge quando o sujeito se depara com desejos inconscientes que ameaçam transbordar para a consciência, provocando um conflito interno entre o que se deseja e o que é social ou moralmente aceitável.

    Lacan, ampliando essa noção, afirma que a angústia não engana. Ela é uma resposta do sujeito diante da perda de referências simbólicas, quando os significantes que sustentam sua identidade e seu lugar no mundo vacilam. A angústia revela uma verdade psíquica: ela aponta para a falta, para o vazio constitutivo do sujeito, que tenta constantemente preencher esse espaço com relações, objetos ou realizações que, no entanto, nunca são plenamente satisfatórios.

    Na prática clínica, a angústia é escutada como um importante indicativo da atividade inconsciente. Ao invés de silenciá-la com soluções imediatas, a psicanálise convida o sujeito a investigar o que essa angústia quer dizer, qual desejo ela encobre ou denuncia. Ao colocar a angústia em palavras, abre-se a possibilidade de transformá-la — não em alívio superficial, mas em compreensão profunda de si mesmo e das forças psíquicas que operam na constituição da subjetividade.